Brasília, 30 de março de 2026 – A Casa Branca deu um passo concreto e público na estratégia de Donald Trump para financiar a guerra em curso contra o Irã. Durante o briefing diário, a secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que o presidente americano está “bastante interessado” em pedir aos países árabes do Golfo – especialmente Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait – que cubram a maior parte dos gastos militares da operação liderada pelos Estados Unidos e Israel.
“Eu acho que é algo que o presidente estaria bastante interessado em convocá-los a fazer. Não vou me adiantar a ele nisso, mas certamente é uma ideia que sei que ele tem e algo sobre o qual vocês vão ouvir mais dele”, declarou Leavitt aos jornalistas.
A porta-voz não deu números exatos, mas fontes da administração estimam que os custos já ultrapassam dezenas de bilhões de dólares, considerando o envio de tropas adicionais, operações aéreas, defesa antimísseis e apoio logístico a Israel desde o início do conflito, há cerca de um mês.
O paralelo histórico que Trump adora repetir
Leavitt fez questão de lembrar o precedente da Guerra do Golfo de 1990-1991. Naquela época, quando uma coalizão internacional liderada pelos EUA expulsou o Iraque de Saddam Hussein do Kuwait, os próprios países árabes – Kuwait, Arábia Saudita e Emirados – pagaram a grande maioria dos custos da operação. Os EUA arcavam com a liderança militar, mas a conta financeira foi quase toda bancada pelos vizinhos ricos do Golfo.
Trump, que já usou o mesmo argumento em seu primeiro mandato para cobrar dos aliados europeus e asiáticos por proteção militar, agora aplica a lógica ao Oriente Médio: “quem mais ganha com a derrota do Irã deve pagar a conta”.
Por que os árabes do Golfo poderiam aceitar?
Do ponto de vista estratégico, a ideia faz sentido para Riad, Abu Dhabi e Kuwait:
- O Irã é o principal rival regional deles há décadas;
- Teerã financia grupos como os Houthis (que atacam navios no Mar Vermelho), o Hezbollah e milícias no Iraque e na Síria;
- Com o enfraquecimento iraniano, o Estreito de Ormuz – por onde passa 20% do petróleo mundial – ficaria mais seguro para exportações árabes.
No entanto, os mesmos países também temem uma escalada prolongada que poderia elevar o preço do barril de petróleo, prejudicar suas economias e provocar retaliações indiretas do Irã (ataques cibernéticos, drones ou bloqueios marítimos).
Da guerra e das negociações
A declaração da Casa Branca acontece no momento em que Trump afirma que as conversas indiretas com o Irã (mediadas, entre outros, pelo Paquistão) estão “indo bem” e que um cessar-fogo pode estar próximo. Ao mesmo tempo, o presidente mantém a pressão: na semana passada voltou a ameaçar tomar a ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano.
Trump também já cobrou publicamente que cerca de sete países que dependem do petróleo do Golfo enviem navios de guerra para patrulhar o Estreito de Ormuz – pedido que gerou resistência inicial, mas que agora parece fazer parte de um pacote maior de “divisão de responsabilidades”.
Estilo Trump: “América Primeiro” na prática
Essa postura reflete a doutrina central de Trump desde 2016: os Estados Unidos não devem bancar sozinhos a segurança global. Seja na OTAN, na Coreia do Sul ou agora no Golfo, o recado é o mesmo: “vocês se beneficiam, vocês pagam”.
Analistas observam que a proposta ainda não é uma exigência formal – Leavitt deixou claro que Trump falará diretamente sobre o tema nos próximos dias. Mas o simples fato de a Casa Branca ter colocado o assunto na mesa já muda o tom das negociações com os aliados árabes.
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