Brasileiro Voluntário Torturado e Morto na Ucrânia

TimeCras
Roberto Farias
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Polícia Federal Inclui Líder do Batalhão em Lista de Interesse; Mãe Pede Justiça e Repatriação do Corpo

Kiev / Brasília – 21 de fevereiro de 2026
A investigação sobre a morte brutal do pernambucano Bruno Gabriel Leal da Silva, de 28 anos, em uma base militar ucraniana ganhou novos desdobramentos nas últimas horas. A Polícia Federal do Brasil incluiu Leanderson Paulino – comandante da unidade Advanced Company (Companhia Avançada), acusada de abusos sistemáticos – na lista de interesse nacional, o que pode facilitar questionamentos ou medidas judiciais caso ele retorne ao país.

A revelação veio em reportagens exclusivas do SBT News, em parceria com o jornal ucraniano Kyiv Independent, que publicou a investigação principal em 18 de fevereiro (atualizada em 19).

O Caso Bruno Gabriel

Segundo testemunhas anônimas – ex-integrantes da unidade que temem retaliações –, Bruno foi punido violentamente após retornar alcoolizado à base em Kiev na noite de 28 para 29 de dezembro de 2025.

  • Foi forçado a uma luta de boxe improvisada.
  • Em seguida, levado a um local isolado conhecido como “container”, onde sofreu espancamento por cerca de 40 minutos.
  • O corpo foi encontrado seminu na neve na manhã seguinte, com hematomas extensos, costelas fraturadas e sinais de contenção (marcas de corda nos pulsos).

Padrão de Abusos

Ex-membros da Advanced Company, vinculada à inteligência militar ucraniana (HUR) e à Legião Internacional, descrevem um padrão recorrente de violência:

  • Espancamentos coletivos
  • Waterboarding
  • Queimaduras com líquidos quentes
  • Choques elétricos
  • Ameaças com armas
  • Agressões sexuais com objetos

“Era um batalhão que torturava pessoas. O abuso era normal”, relatou um ex-soldado ao Kyiv Independent. Bruno, que ainda não havia assinado contrato formal e manifestava desejo de voltar ao Brasil, teria sido alvo justamente por intenção de “desertar”.

Reação das Autoridades

  • Autoridades ucranianas confirmaram a abertura de inquérito preliminar, classificando o caso como “potencial crime”.
  • A perícia médica está em curso para determinar a causa exata da morte.
  • A HUR anunciou revisão interna da unidade e reiterou que Bruno era apenas candidato em fase de seleção.
  • O ouvidor militar ucraniano ordenou inspeção na Advanced Company.

Voz da Família

No Brasil, a mãe de Bruno, Maria de Lourdes Santos Leal, concedeu entrevistas emocionadas ao SBT News (incluindo no programa Mapa Mundi). Ela exige justiça, repatriação do corpo do filho para sepultamento em Sertânia (PE) e alertou jovens brasileiros contra a ilusão de “aventura” na guerra:

“Repensem antes de ir. Meu filho só queria voltar para casa.”

A família busca apoio para custear o traslado.

Riscos para Voluntários Estrangeiros

O caso expõe os riscos enfrentados por voluntários estrangeiros na Ucrânia:

  • Promessas de pagamento e idealismo frequentemente contrastam com retenção de passaportes, xenofobia e condições precárias.
  • Em grupos isolados como a Advanced Company, surgem dinâmicas de controle abusivo e tráfico de pessoas.

A inclusão de Leanderson Paulino na lista da PF sinaliza que autoridades brasileiras acompanham o desenrolar, ampliando o escopo para além das fronteiras ucranianas.

Conclusão

Enquanto as apurações prosseguem em Kiev e no Brasil, o episódio reforça um alerta global: em conflitos armados, a fronteira entre voluntariado e exploração pode ser fatal.



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