Unitree revela robô humanoide “Superman” que salta 2 metros e pode atingir 45,6 km/h

TimeCras
Roberto Farias
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Protótipo humanoide “Superman”, da chinesa Unitree, durante demonstração de suas capacidades de movimento. Segundo a empresa, o robô consegue saltar 2 metros a partir do solo e atingir velocidade de 12,66 m/s.

Protótipo chinês foi desenvolvido em pouco mais de três meses e chega às vésperas da estreia da Unitree na Bolsa de Xangai; empresa já afirma ter entregue cerca de 18 mil humanoides

Hangzhou, China — 17 de agosto de 2026

A empresa chinesa Unitree Robotics apresentou nesta segunda-feira (17) um novo robô humanoide de alto desempenho chamado “Superman”, em uma demonstração que evidencia o ritmo acelerado da corrida tecnológica pela próxima geração de máquinas bípedes.

Segundo a Unitree, o protótipo consegue realizar um salto vertical de 2 metros partindo da posição parada e alcançar uma velocidade máxima de 12,66 metros por segundo, equivalente a aproximadamente 45,6 km/h. O robô possui pernas com cerca de 0,85 metro de comprimento.

A empresa afirma que o equipamento foi desenvolvido em pouco mais de três meses e ressalta que o projeto ainda está em desenvolvimento, com espaço para novos aprimoramentos nos próximos meses. 

A apresentação acontece em um momento estratégico para a companhia. Na quarta-feira (19), a Unitree deverá iniciar a negociação de suas ações no STAR Market, segmento tecnológico da Bolsa de Xangai, depois de levantar 6,1 bilhões de yuans — aproximadamente US$ 905 milhões — em sua oferta pública inicial.

Um humanoide criado para velocidade e potência

O “Superman” representa uma abordagem diferente daquela adotada por muitos robôs humanoides apresentados nos últimos anos.

Enquanto boa parte dos projetos busca demonstrar capacidade de caminhar, manipular objetos, trabalhar em fábricas ou interagir com pessoas, a Unitree colocou no centro da apresentação a capacidade atlética da máquina.

O salto de 2 metros exige que o robô produza uma grande quantidade de força em um intervalo extremamente curto. Ao mesmo tempo, precisa controlar a posição do corpo durante a subida e estabilizar o sistema na aterrissagem.

A velocidade anunciada de 12,66 m/s corresponde a cerca de 45,6 km/h.

Se o número apresentado pela fabricante for confirmado em testes independentes, ele ficará acima do pico de velocidade estimado para Usain Bolt durante o recorde mundial dos 100 metros, de aproximadamente 12,4 m/s.

É importante, porém, não transformar essa comparação em um recorde oficialmente reconhecido: os números de velocidade e salto foram divulgados pela própria Unitree e ainda não possuem verificação independente amplamente estabelecida

O detalhe mais impressionante: apenas três meses de desenvolvimento

Um dos aspectos que mais chamam atenção não é apenas o desempenho físico, mas o tempo necessário para desenvolver o protótipo.

A Unitree afirma que o “Superman” foi criado em pouco mais de três meses.

Isso mostra a velocidade com que a indústria chinesa está tentando transformar avanços em mecânica, sensores, sistemas de controle e inteligência artificial em protótipos funcionais.

O projeto também demonstra a importância dos sistemas de controle em tempo real.

Para correr e saltar sobre duas pernas, o robô precisa controlar continuamente equilíbrio, posição do corpo, força aplicada ao solo e movimento de cada articulação.

Uma pequena falha de sincronização pode resultar em perda de equilíbrio e queda.

De onde vem a capacidade de um robô correr tão rápido?

A velocidade de um humanoide não depende de apenas um componente.

É necessário combinar motores ou atuadores de alta potência, estruturas leves, baterias capazes de fornecer energia rapidamente, sensores, sistemas de controle e algoritmos capazes de reagir em tempo real.

O desafio aumenta porque o robô precisa permanecer estável enquanto seus membros se movimentam em alta velocidade.

Em uma máquina de quatro rodas, acelerar é relativamente simples. Em um humanoide, cada aceleração modifica a distribuição de massa e pode comprometer o equilíbrio.

Por isso, demonstrações como a do “Superman” são relevantes para a evolução da robótica dinâmica.

Unitree já entregou cerca de 18 mil humanoides

O novo protótipo não representa o início da atuação da Unitree no segmento.

Em publicação recente, a empresa informou ter produzido e entregue aproximadamente 18 mil robôs humanoides bípedes de diferentes modelos até julho de 2026

O número ajuda a explicar por que a Unitree se tornou uma das empresas mais conhecidas da atual corrida pelos humanoides.

A companhia ganhou projeção internacional com robôs capazes de correr, dançar e executar movimentos semelhantes a artes marciais.

A estratégia também demonstra uma tentativa de levar a robótica humanoide para além dos laboratórios e aproximá-la de aplicações comerciais.

IPO coloca Unitree no centro das atenções

A apresentação do “Superman” ocorre poucos dias antes de um dos momentos mais importantes da história da empresa.

A Unitree está programada para estrear no STAR Market, em Xangai, na quarta-feira, 19 de agosto.

A companhia levantou 6,1 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 905 milhões, em seu IPO, com ações precificadas em 150,80 yuans.

A oferta avaliou a empresa em mais de 60 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 9 bilhões. 

O interesse dos investidores foi extraordinário.

A parcela destinada aos investidores de varejo foi mais de 8.000 vezes superior à quantidade disponível, segundo a Reuters, estabelecendo um recorde no STAR Market. 

A combinação entre o lançamento do novo robô e a estreia na Bolsa ajuda a explicar por que a Unitree está recebendo tanta atenção no mercado chinês.

A coincidência com a World Robot Conference

Outro fator importante é o calendário.

A estreia da Unitree na Bolsa ocorre na mesma semana em que a World Robot Conference começa em Pequim, colocando a robótica no centro das atenções da indústria chinesa.

O evento reúne empresas e pesquisadores ligados ao desenvolvimento de robôs e inteligência artificial e ocorre em um momento em que a China busca ampliar sua participação em tecnologias consideradas estratégicas.

A apresentação do “Superman” funciona, portanto, não apenas como demonstração tecnológica, mas também como uma poderosa vitrine para a indústria chinesa.

Unitree tem apoio de grandes empresas de tecnologia

A companhia também conta com investimentos e apoio de importantes nomes do setor tecnológico chinês.

Entre os investidores associados à Unitree estão Tencent, Alibaba e DeepSeek, segundo a Reuters. 

Esse ecossistema é importante porque o futuro dos humanoides depende cada vez menos apenas da engenharia mecânica.

Os robôs precisam combinar hardware com modelos de inteligência artificial capazes de interpretar ambientes, reconhecer objetos, compreender comandos e decidir como executar determinadas tarefas.

É justamente nessa integração entre robótica e IA que está uma das maiores disputas tecnológicas dos próximos anos.

A corrida mundial pelos robôs humanoides

A Unitree não está competindo sozinha.

Nos Estados Unidos, empresas como Tesla e Boston Dynamics trabalham em diferentes gerações de robôs humanoides.

Na China, companhias como Unitree e outros fabricantes estão acelerando o desenvolvimento de máquinas capazes de atuar em fábricas, armazéns, laboratórios e ambientes de pesquisa.

A disputa não é simplesmente para produzir o robô que corre mais rápido.

O objetivo estratégico é criar máquinas capazes de perceber o ambiente, manter equilíbrio, manipular objetos, utilizar ferramentas e executar tarefas com cada vez menos intervenção humana.

Nesse cenário, velocidade e capacidade de salto são demonstrações importantes, mas representam apenas uma parte do problema.

O verdadeiro desafio é transformar potência em utilidade

Um robô que alcança 45,6 km/h chama atenção, mas isso não significa que ele esteja pronto para substituir trabalhadores.

Para ser economicamente útil em larga escala, um humanoide precisa funcionar durante longos períodos, consumir energia de maneira eficiente, apresentar baixa taxa de falhas e conseguir executar tarefas reais com segurança.

Em uma fábrica, por exemplo, a capacidade de transportar objetos, identificar peças e operar máquinas pode ser mais importante do que correr a alta velocidade.

Em um armazém, autonomia e precisão podem valer mais do que potência.

Em uma residência, segurança e capacidade de compreender situações imprevisíveis serão essenciais.

Por isso, o “Superman” deve ser visto principalmente como uma demonstração de capacidade física e dinâmica, e não como prova de que a tecnologia já alcançou autonomia geral.

O que muda para a indústria?

O avanço dos humanoides pode alterar profundamente setores que atualmente dependem de trabalho humano.

Fábricas, centros de distribuição, logística, construção e determinadas atividades de inspeção podem ser candidatos à automação.

A possibilidade de utilizar robôs com formato semelhante ao corpo humano tem uma vantagem importante: eles podem, em princípio, operar em ambientes já construídos para pessoas, utilizando corredores, escadas, portas, bancadas e ferramentas existentes.

Isso reduz a necessidade de adaptar completamente a infraestrutura.

Mas também cria desafios sociais.

Quanto mais capazes forem essas máquinas, maior será a discussão sobre empregos, qualificação profissional, produtividade e distribuição dos ganhos econômicos gerados pela automação.

China tenta ganhar escala antes dos concorrentes

O caso da Unitree mostra que a competição não acontece apenas nos laboratórios.

Existe também uma disputa pela escala industrial.

Produzir um protótipo sofisticado é uma coisa. Produzir milhares ou milhões de unidades com custo competitivo é outra.

A China possui uma enorme cadeia industrial de componentes eletrônicos, motores, baterias, sensores e sistemas de fabricação, o que pode favorecer o desenvolvimento de robôs em grande escala.

A Unitree, com cerca de 18 mil humanoides já entregues segundo seus próprios dados, tenta transformar essa vantagem em liderança comercial. 

Há riscos e limitações

A euforia em torno da robótica humanoide também exige cautela.

O setor ainda enfrenta dúvidas sobre custo, autonomia energética, confiabilidade, manutenção, segurança e retorno financeiro.

A própria Unitree afirma que o “Superman” ainda é um trabalho em andamento e poderá ser aprimorado nos próximos meses. 

Isso significa que a demonstração de 17 de agosto não deve ser interpretada como o produto final.

Também é necessário aguardar medições independentes para confirmar os números mais impressionantes apresentados pela empresa.

O que pode acontecer nos próximos anos?

Se os avanços continuarem, os humanoides poderão passar por uma evolução semelhante à observada anteriormente com drones e veículos elétricos: inicialmente caros e restritos a nichos, mas gradualmente mais acessíveis e capazes de executar tarefas comerciais.

A diferença é que os humanoides enfrentam um desafio muito maior de inteligência e interação com o mundo físico.

Não basta andar.

Eles precisam entender o que está acontecendo ao redor, escolher uma ação e executá-la de maneira segura.

O “Superman” representa uma evolução justamente em uma das partes mais difíceis dessa equação: o controle de movimentos rápidos e potentes em uma estrutura bípede.

Uma nova etapa da corrida tecnológica

A apresentação da Unitree acontece em um momento em que a robótica humanoide deixa de ser apenas uma promessa de longo prazo e começa a atrair grandes investimentos.

A empresa já afirma ter entregue cerca de 18 mil humanoides, prepara uma estreia na Bolsa de Xangai avaliada em aproximadamente US$ 9 bilhões e acaba de apresentar um protótipo capaz, segundo seus dados, de saltar 2 metros e atingir 12,66 m/s.

Ainda não está claro quanto dessa capacidade poderá ser transferida para produtos comerciais e aplicações cotidianas.

Mas o movimento é significativo.

A indústria está deixando de competir apenas para fazer robôs caminhar e começa a disputar velocidade, equilíbrio, força, autonomia e inteligência ao mesmo tempo.

O “Superman” é apenas o começo

O novo robô da Unitree pode não ser o humanoide mais importante comercialmente nos próximos anos. Também pode não manter por muito tempo os números apresentados como referência de desempenho.

Mas sua demonstração deixa uma mensagem clara para o mercado: a evolução física dos robôs humanoides está avançando rapidamente.

O próximo salto da indústria será transformar essa capacidade em máquinas confiáveis, economicamente viáveis e capazes de realizar tarefas úteis no mundo real.

Se isso acontecer, a corrida iniciada por empresas chinesas, americanas e de outros países poderá produzir uma das maiores transformações tecnológicas da próxima década.

O “Superman” da Unitree, por enquanto, é um protótipo.

Mas o mercado já está tratando a robótica humanoide como algo muito maior do que uma demonstração tecnológica.


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