Emirados Árabes acusam Irã de atacar dois navios da ADNOC no Estreito de Hormuz

TimeCras
Roberto Farias
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Imagem Ilustrativa

Dois navios da companhia estatal de Abu Dhabi foram atacados durante a travessia do estratégico corredor marítimo; não houve feridos


Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos — 13 de agosto de 2026 — Dois navios da Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) foram atacados nesta quinta-feira enquanto atravessavam o Estreito de Hormuz, segundo informações divulgadas pela própria companhia e pela agência estatal dos Emirados Árabes Unidos, WAM.

A ADNOC informou que não houve feridos e que a situação foi controlada. As autoridades dos Emirados atribuíram o ataque ao Irã e condenaram o episódio, aumentando ainda mais a tensão em uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo e gás.

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados classificou o episódio como um ataque iraniano contra embarcações comerciais e acusou a Guarda Revolucionária Islâmica de utilizar o Estreito de Hormuz como instrumento de pressão econômica. Até a publicação desta reportagem, o governo iraniano não havia apresentado uma resposta específica às acusações.

Segundo ataque envolvendo navios da ADNOC em menos de uma semana

O episódio desta quinta-feira ocorre poucos dias depois de outro incidente envolvendo uma embarcação ligada à empresa estatal de Abu Dhabi.

No sábado, 8 de agosto, os Emirados acusaram o Irã de atacar com um míssil um navio associado à ADNOC enquanto atravessava o Estreito de Hormuz. Na ocasião, não houve registro de vítimas. 

A sequência de incidentes aumenta a preocupação das empresas de navegação e do setor energético com a segurança da passagem marítima. A ADNOC já havia informado que os ataques contra suas embarcações e funcionários estavam afetando significativamente suas operações. 

Hormuz se transforma em um dos principais pontos da crise

O Estreito de Hormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e constitui uma passagem fundamental para o comércio internacional de energia. Antes da atual crise, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados por via marítima passava pela região.

A guerra e os ataques contra embarcações provocaram uma forte redução do tráfego pelo estreito, aumentando os custos de transporte e os riscos para companhias de navegação e seguradoras.

A disputa também passou a envolver diretamente Estados Unidos e Irã. Nesta quinta-feira, Hossein Taeb, chefe da força paramilitar Basij, afirmou que o Estreito de Hormuz está sob controle iraniano. A declaração contrasta com a afirmação do presidente americano Donald Trump de que os Estados Unidos possuem controle da região. 

ADNOC adapta operações para reduzir riscos

A escalada da violência obrigou a ADNOC a modificar sua estratégia de transporte de petróleo.

Segundo informações divulgadas pela Reuters nesta quinta-feira, a companhia ampliou sua frota e passou a utilizar operações de transferência de petróleo fora do Estreito de Hormuz. A empresa também incorporou 11 grandes navios à sua estrutura logística para manter o fluxo de exportações em meio aos riscos provocados pelo conflito. 

A estratégia permite que Abu Dhabi continue atendendo parte de seus compradores, principalmente na Ásia, mesmo com as dificuldades provocadas pela insegurança na principal rota marítima do Golfo.

Ataques aumentam risco para o mercado de energia

A continuidade dos ataques representa uma ameaça potencial ao abastecimento internacional de petróleo e gás. Uma interrupção prolongada do tráfego pelo Estreito de Hormuz poderia aumentar os custos de frete e seguros marítimos e provocar novas pressões sobre os preços dos combustíveis.

Apesar da tensão geopolítica, o petróleo caiu nesta quinta-feira. O Brent recuou US$ 1,91, para US$ 87,07 por barril, enquanto o WTI terminou a sessão a US$ 81,25. A queda foi influenciada principalmente pelo aumento dos estoques de petróleo nos Estados Unidos e pela perspectiva de menor crescimento da demanda mundial. 

O comportamento dos preços, entretanto, pode mudar rapidamente caso novos ataques reduzam ainda mais a circulação de navios ou provoquem uma interrupção prolongada das exportações do Golfo.

Crise marítima continua sem solução

O ataque aos dois navios da ADNOC ocorre em um momento de forte disputa pelo controle e pela segurança do Estreito de Hormuz. O Irã afirma exercer autoridade sobre a passagem, enquanto Washington mantém pressão militar e busca garantir a navegação de embarcações que considera autorizadas a atravessar a região. 

Para os Emirados Árabes Unidos, os novos ataques representam uma ameaça direta à segurança de suas operações comerciais e ao transporte internacional de energia.

Até o momento, está confirmado que dois navios da ADNOC foram atacados e que não houve feridos. A responsabilidade pelo ataque foi atribuída ao Irã pelos Emirados Árabes Unidos, mas o governo iraniano ainda não havia respondido especificamente à acusação no momento da publicação.


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