Tensão entre Trump e Netanyahu se Aprofunda após Acordo dos EUA com o Irã

TimeCras
Roberto Farias
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Washington/Jerusalém, 16 de junho de 2026 – A assinatura eletrônica de um Memorando de Entendimento (MoU) entre os Estados Unidos e o Irã gerou uma rara e explícita divergência pública entre o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, abalando temporariamente a histórica parceria entre os dois líderes.

O MoU, assinado digitalmente no domingo (15 de junho) pelo presidente Trump, pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, prevê um cessar-fogo de 60 dias em todos os fronts, a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego comercial sem pedágios e o início de negociações sobre o programa nuclear iraniano. Uma cerimônia formal de assinatura está agendada para sexta-feira (19 de junho) em Genebra, na Suíça.

Israel não aceita os termos do acordo

Netanyahu deixou claro que Israel não é parte do acordo e, portanto, não se considera vinculado a ele. Em declaração nesta segunda-feira, o primeiro-ministro afirmou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) permanecerão nas “zonas de segurança” no sul do Líbano de forma indefinida, sem prazo para retirada.

O ministro da Defesa, Israel Katz, reforçou que as tropas israelenses manterão presença nas zonas de segurança em Líbano, Síria e Gaza “sem limite de tempo” para proteger as fronteiras israelenses.

“Nem hoje nem amanhã. Enquanto eu for primeiro-ministro, o Irã não terá armas nucleares”, disse Netanyahu, destacando que Israel preservará sua “liberdade de ação” contra ameaças do Hezbollah e do regime iraniano.

Trump critica ações israelenses

Fontes próximas à Casa Branca revelaram que Trump ficou irritado com ataques israelenses recentes nos arredores de Beirute, que ocorreram quando o acordo estava sendo finalizado. Em conversas relatadas, o presidente americano usou linguagem dura, questionando o timing e o julgamento de Netanyahu.

Apesar disso, Trump mantém que Netanyahu “deveria ser muito grato” pelo acordo, que, segundo ele, impediu que o Irã desenvolvesse armas nucleares.

Netanyahu reconheceu publicamente que ele e Trump “nem sempre veem olho no olho”, mas enfatizou a parceria histórica entre os dois países na campanha contra o programa nuclear iraniano.

Do acordo

O MoU surge após mais de três meses de conflito iniciado em 28 de fevereiro de 2026 com ataques conjuntos EUA-Israel contra alvos iranianos. O acordo foca principalmente na reabertura do Estreito de Ormuz — crucial para o fluxo global de petróleo — e no fim do bloqueio naval americano, com alívio condicional de sanções e possível liberação de ativos iranianos congelados, dependendo do cumprimento de obrigações por Teerã.

Detalhes completos do texto ainda não foram divulgados publicamente.

Enquanto Trump celebra o fim das hostilidades diretas e a retomada do comércio marítimo, Israel vê o entendimento como insuficiente para neutralizar a ameaça existencial representada pelo Irã e seus proxies.


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