Câmara dos EUA avança pacote de ajuda à Ucrânia e novas sanções à Rússia em derrota para Trump

TimeCras
Roberto Farias
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Com apoio bipartidário, deputados forçam votação de projeto que libera bilhões em assistência militar e aperta o cerco econômico contra Moscou, desafiando a estratégia negociadora da Casa Branca.

Washington, 4 de junho de 2026 –

Em mais um sinal de fissuras internas no Partido Republicano, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira o avanço do Ukraine Support Act (H.R. 2913), projeto que autoriza nova ajuda militar significativa à Ucrânia e impõe sanções mais rigorosas à Rússia. A votação de 218 a 204, obtida por meio de uma petição de descarga (discharge petition), contornou a resistência da liderança republicana e da Casa Branca de Donald Trump.

O texto, que deve ir a votação final nos próximos dias, autoriza mais de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,3 bilhões, considerando cotação aproximada de R$ 5,60) em assistência de segurança direta e até US$ 8 bilhões (aproximadamente R$ 45 bilhões) em empréstimos para financiamento militar à Ucrânia e aliados da Otan. O pacote também estende programas de assistência de segurança até 2027 e inclui medidas de reconstrução pós-guerra.

De uma guerra que se arrasta

A iniciativa surge em um momento delicado. Desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025, a administração tem priorizado negociações diretas com Moscou para buscar um cessar-fogo, reduzindo o ritmo de novos pacotes de ajuda. Críticos argumentam que essa abordagem tem enfraquecido a posição ucraniana nas conversas e permitido que a Rússia mantenha ganhos territoriais.

O Ukraine Support Act, apresentado pelo democrata Gregory Meeks (NY) em abril de 2025, ganhou força graças ao apoio de republicanos moderados como Don Bacon (Nebraska), Brian Fitzpatrick (Pensilvânia) e do independente Kevin Kiley (Califórnia), que assinou a petição decisiva em maio, alcançando as 218 assinaturas necessárias.

O que o projeto prevê

Além da assistência financeira e militar, o texto endurece significativamente as sanções contra setores chave da economia russa, incluindo bancos, energia, mineração e indivíduos ligados à guerra. Uma das medidas mais agressivas é o fechamento de brechas que permitem a refinação e venda de petróleo russo por terceiros países, além de ações contra a “frota sombra” usada para burlar restrições internacionais.

Para o contribuinte americano, o projeto transforma parte da ajuda em empréstimos, mecanismo que a administração Trump também tem defendido, mas com maior controle congressional sobre o uso dos recursos.

Impactos políticos, militares e econômicos

  • Político: expõe divisões claras no Partido Republicano.
  • Militar: fortalece a posição ucraniana no campo de batalha e nas negociações.
  • Econômico: pode elevar preços globais do petróleo e impactar cadeias de suprimento na Europa. Para o Brasil, há risco de efeitos indiretos em exportações de commodities e fertilizantes.

Análise: um revés estratégico para Trump

A medida representa o segundo grande dissenso de política externa da Câmara contra a administração Trump em poucos dias. Ao forçar o debate, deputados demonstram impaciência com a lentidão das negociações e o receio de que uma Ucrânia enfraquecida altere o equilíbrio de poder global em favor da China e da Rússia.

A Casa Branca argumenta que o projeto rígido pode prejudicar acordos mais amplos que Trump busca costurar. Se aprovado na Câmara, o texto ainda enfrentará resistência no Senado e risco real de veto presidencial — o que exigiria maioria de 2/3 para ser derrubado.

Próximos passos

A Câmara deve votar a versão final do projeto ainda nesta semana. Caso avance, o foco se volta para o Senado, onde a composição republicana também não garante aprovação fácil. Paralelamente, a diplomacia americana continua trabalhando em negociações diretas com Moscou.

Enquanto soldados ucranianos lutam na linha de frente, o Congresso americano reafirma, pelo menos temporariamente, que o apoio a Kiev continua sendo uma prioridade bipartidária — mesmo em um cenário de forte pressão por redução de gastos e realinhamento de prioridades globais.


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