Teerã promete resistir à “intimidação” enquanto Trump prorroga cessar-fogo com Irã

TimeCras
Roberto Farias
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Washington/Teerã – 21 de abril de 2026 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira a prorrogação do cessar-fogo com o Irã, poucas horas antes do fim do prazo de duas semanas acordado anteriormente. A medida atende a um pedido explícito do Paquistão, mas mantém intacto o bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz. Em resposta, autoridades iranianas classificaram a decisão como “intimidação” e prometeram resistir, afirmando que o bloqueio equivale à continuidade da guerra.


Em publicação na rede social Truth Social, Trump justificou a extensão da trégua citando o “governo iraniano seriamente fragmentado” e o apelo direto do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e do marechal Asim Munir. “Estenderei o cessar-fogo até que essa proposta seja apresentada e as discussões sejam concluídas, de uma forma ou de outra”, escreveu o presidente americano. Ao mesmo tempo, ele ordenou que as Forças Armadas dos EUA “continuem o bloqueio e, em todos os outros aspectos, permaneçam prontas e aptas”.


O bloqueio naval, que impede a entrada e saída de navios dos portos iranianos, foi mantido como instrumento de pressão para forçar Teerã a apresentar uma proposta unificada de paz. Fontes americanas indicam que a medida visa garantir que o Irã não use o período de trégua para rearmar ou reforçar posições no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.


Do lado iraniano, a reação foi imediata e dura. A agência Tasnim News, ligada à Guarda Revolucionária, divulgou que o bloqueio marítimo “equivale à continuidade da guerra”. Um assessor do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador de Teerã, classificou a prorrogação como “manobra para ganhar tempo” e afirmou que a manutenção do bloqueio “não é diferente de um bombardeio” e deve ser enfrentada com resposta adequada. Autoridades em Teerã prometeram “resistir à intimidação” e defender os interesses nacionais, sem descartar retaliações caso o cerco persista.


A trégua temporária havia sido estabelecida após intensa mediação paquistanesa e estava prevista para expirar nesta quarta-feira (22). Trump havia sinalizado, ainda nesta manhã, que considerava “altamente improvável” a prorrogação caso não houvesse avanços concretos nas negociações. A virada de última hora ocorre em meio a acusações mútuas de violações: os EUA alegam interferências iranianas na navegação, enquanto Teerã denuncia o bloqueio como ato de pirataria e violação do direito internacional.


O conflito atual, que envolve diretamente Estados Unidos, Israel e Irã, já dura meses e tem impacto direto nos preços globais do petróleo. A manutenção do bloqueio americano mantém o Estreito de Ormuz sob tensão, com reflexos imediatos nos mercados internacionais de energia.


Negociações indiretas via Paquistão continuam, mas ainda não há confirmação de uma nova rodada presencial. O vice-presidente americano JD Vance permanece como chefe da equipe negociadora dos EUA, com viagem a Islamabad ainda em compasso de espera.


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