Irã mantém “situação de guerra” enquanto líderes do Golfo se reúnem em Jeddah

TimeCras
Roberto Farias
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Declaração do porta-voz militar iraniano ocorre no mesmo dia em que o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) realiza sua primeira reunião presencial de líderes desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.


Jedda, Arábia Saudita – 28 de abril de 2026

O Exército iraniano reforçou nesta terça-feira que o Irã permanece em “situação de guerra”, mesmo com o cessar-fogo frágil em vigor desde 8 de abril. A declaração ocorre exatamente no dia em que os líderes do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) se reúnem em sessão extraordinária em Jeddah, na Arábia Saudita, para discutir uma resposta coletiva aos ataques iranianos sofridos nos últimos dois meses.

Segundo porta-voz do Exército iraniano, citado por agências de notícias ligadas à Guarda Revolucionária, as Forças Armadas mantêm “monitoramento e vigilância contínuos”. “Ainda se trata de uma situação de guerra”, disse o militar, alertando que qualquer nova ação hostil será respondida de forma “imediata e decisiva”.

A reunião do GCC, presidida pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, conta com a presença de emires e reis de Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Bahrein e Omã. É o primeiro encontro presencial dos líderes do bloco desde que o conflito direto entre Estados Unidos, Israel e Irã eclodiu, em 28 de fevereiro, e os países do Golfo foram diretamente atingidos por mísseis balísticos e drones iranianos.

Fontes do Golfo consultadas pela Reuters afirmam que o principal objetivo da cúpula é alinhar uma posição unificada sobre segurança energética, proteção de infraestruturas críticas e o risco representado pelo controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz. Vários Estados-membros tiveram instalações de petróleo, gás e aeroportos danificados durante a troca de ataques.

Da tensão persistente

O cessar-fogo atual, intermediado inicialmente pelo Paquistão, é considerado frágil por todas as partes. Embora os ataques diretos tenham diminuído significativamente, os Estados Unidos mantêm bloqueio naval aos portos iranianos, enquanto o Irã continua a exercer controle sobre o tráfego no Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de cerca de 20% do petróleo mundial.

Negociações indiretas entre Washington e Teerã seguem em curso, mas ainda sem avanços concretos. Autoridades iranianas insistem que não aceitam acordo sob pressão militar, enquanto os países do Golfo demonstram preocupação com a possibilidade de um entendimento bilateral que deixe a região exposta a futuras retaliações.

Diplomatas do Golfo têm manifestado, reservadamente, receio tanto de uma nova escalada quanto de um possível “conflito congelado” que mantenha a instabilidade permanente na região.


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