Governo libanês condena bombardeios israelenses no centro de Beirute

TimeCras
Roberto Farias
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Beirute, 18 de março de 2026 – O governo do Líbano intensificou nesta quarta-feira sua condenação aos ataques aéreos israelenses que sacudiram o centro da capital, mas evitou contestar diretamente o aviso de evacuação emitido pelo Exército de Israel para o prédio que desabou de forma espetacular no bairro de Bachoura. Em vez disso, autoridades libanesas concentram o fogo nos bombardeios “sem aviso” que atingiram ruas próximas e provocaram baixas civis.

De acordo com o Ministério da Saúde libanês, a onda de ataques da madrugada resultou em pelo menos seis a doze mortos e dezenas de feridos. A Agência Nacional de Notícias (NNA), órgão estatal, descreveu os alvos como “áreas residenciais densamente povoadas, próximas a sedes governamentais e representações diplomáticas”, destacando o risco desproporcional à população civil.

O prédio de múltiplos andares em Bachoura, captado em vídeos que viralizaram nas redes, colapsou por volta das 5h30 locais após um impacto preciso. Fontes internacionais — Reuters, BBC, The New York Times e Anadolu Agency — confirmam que o porta-voz do IDF, Avichay Adraee, publicou um alerta de evacuação aproximadamente uma hora antes, marcando o edifício no mapa e afirmando que o local abrigava “infraestrutura do Hezbollah”. Moradores que obedeceram ao aviso saíram a tempo; por isso, não há registro de vítimas fatais nesse strike específico.

Já em Zuqaq al-Blat e Basta, os ataques ocorreram sem qualquer notificação prévia, segundo relatos consistentes das mesmas agências. Foi nesses pontos que se concentraram as mortes e o pânico relatado por testemunhas. O governo libanês, por meio do Ministério da Saúde e da NNA, classifica esses casos como “violações claras das normas humanitárias e do direito internacional”.

Posição oficial de Beirute: condenação firme, mas pragmática

O presidente Joseph Aoun convocou ainda nesta manhã uma reunião de alto nível do Conselho de Segurança para avaliar a escalada, o fluxo de deslocados internos e o aumento de baixas civis. O primeiro-ministro Nawaf Salam, que desde 2 de março lidera uma linha dura contra o braço armado do Hezbollah, repetiu a mensagem de que “o Líbano não pode ser refém de decisões unilaterais que colocam em risco a soberania nacional”.

Em nota oficial, o governo libanês não nega a existência do alerta para Bachoura — algo que seria difícil de contestar diante da publicação pública do IDF e da cobertura unânime da imprensa internacional. Em vez disso, direciona a crítica aos ataques sem aviso e ao padrão geral de bombardeios que, segundo Beirute, “atingem indiscriminadamente bairros centrais”.

O posicionamento reflete o delicado equilíbrio atual do Executivo: de um lado, condena Israel por agressão externa; de outro, mantém a decisão de março que bane atividades militares do Hezbollah e exige entrega de armas ao Estado. Diplomatas europeus, como o enviado francês Jean-Yves Le Drian, comentaram hoje que é “irrazoável” esperar que Beirute desarme o grupo enquanto sofre bombardeios constantes.

Do lado israelense, o IDF sustenta que todos os alvos eram legítimos e que o aviso em Bachoura demonstra esforço para reduzir danos colaterais — narrativa reforçada pelas agências de notícias que cobriram o evento em tempo real.

Contexto da escalada

Os ataques de hoje fazem parte de uma retaliação israelense mais ampla às ações do Hezbollah, que continua lançando foguetes e drones contra o norte de Israel. O secretário-geral interino do Hezbollah, Naim Qassem, condicionou qualquer cessar-fogo ao fim dos bombardeios, ao retorno dos deslocados libaneses e à retirada de tropas israelenses do sul do país.

Enquanto a comunidade internacional acompanha com preocupação o risco de uma guerra total, o governo libanês mantém o foco em dois pilares: proteger a população civil e preservar a autoridade estatal diante de um conflito que já deslocou milhares e ameaça a frágil estabilidade do país.


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